sábado, 24 de setembro de 2016

MARCELO PFEIL




    Guitarrista, compositor e arranjador...


Conheça um pouco do trabalho desse extraordinário profissional:

Formado em Licenciatura com Habilitação em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNI RIO). • Pós Graduado em Orientação Educacional e Pedagógica pela Universidade Cândido Mendes (UCAM) • Há dez anos é Professor de Educação Musical na Prefeitura do Rio de Janeiro. • De 2005 a 2013 fez parte da Coordenação dos Núcleos Avançados da Escola de Música Villa Lobos. • Atuou de 2010 a 2014 como Professor de Violão e História da Música Brasileira do Conservatório de Música do Município de Macaé (nível técnico). • É professor de Artes na Rede Municipal de Macaé desde 2005, desde 2014 onde desenvolve o Projeto Orquestra de Violões do Colégio Raul Veiga. • De 2011 a 2013 ministrou pela Europa Concertos Didáticos sobre música brasileira, tendo também se apresentado no Pori Jazz e no Faces Etno Festival (Finlândia).  Atua como violonista da Orquestra de Vozes Meninos do Rio (coro de mil vozes formado por alunos da rede municipal), projeto de extensividade da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, este projeto contou com a participação de Leila Pinheiro. • Faz parte de sua formaçao os estudos no conservatório de Música de Kreuzberg, Berlim. • Assina a direção musical do espetáculo “O Som de Noel Rosa“, apresentado para alunos da Rede Municipal de Ensino no SESC Tijuca e transmitido pela TV Brasil na reportagem 100 anos de Noel da Vila. www.youtube.com/watch?v=v3JuZlI7ImE • Estudou Harmonia com Almir Chediak e Composição com Antônio Adolfo. • Formado em Harmonia e Improvisação pelo Centro Ian Guest de Aperfeiçoamento Musical, onde teve aulas com o próprio Ian Guest e com Nelson Faria. • Estudou violão com Luiz Otávio Braga, Maria Haro e Maurício Carrilho. Estudou cavaquinho com Jayme Vignolli e Luciana Rabello. • Em 1994 participou como violonista do grupo Brasiliana e realizou 3 turnês por toda a Europa. • Morou em Berlim de 1995 a 97, onde se apresentou por 2 anos consecutivos (96 e 97) em um dos grandes festivais de Jazz da Alemanha (Berliner Jazz Treffen). • Em parceria com Marcia Lisboa escreveu canções para a ação educativa da Marinha do Brasil. Este projeto resultou em concertos com músicas e histórias para os visitantes do Museu e um audiobook . • Assina os arranjos do Cd “O Livro Mágico”, que acompanha o livro homonimo pela wak editora. • Músico atuante no cenário carioca já se apresentou na Cidade das Artes, Teatro dos Quatro, Sala Baden Powell, Casa do Riso, Centro Cultural Carioca, Lonas Culturais da Prefeitura, Teatro do BNDES, Rio Scenarium e Teatro Municipal de Niterói. • Guitarrista da banda oficial do "The Maze", Clube de Jazz carioca citado por 5 anos consecutivos pela "Downbeat'', lendária revista americana do gênero, como referência em Jazz. • Em Janeiro de 2016 lançou seu Cd instrumental autoral “Coleção de Vinil”, com participações de Zé Canuto e Marcelo Martins. 

https://itunes.apple.com/us/album/colecao-de-vinil/id1073707076 

 www.youtube.com/watch?v=4bRMuSwrULE 



Para entrevistar o Professor Marcelo Pfeil, envie suas perguntas via facebook ou email até o dia 12/10/2016



RESULTADO DA ENTREVISTA:



  Lucas Brito pergunta:  Quando começou a interessar-se por música?

 Marcelo Pfeil responde:

Tudo começou nos anos 70 em Resende, interior do Rio de Janeiro. Eu, caçula de 5 irmãos,  ouvindo, "por tabela" o que minha família colocava na vitrola: É provável que eles não saibam, mas meus irmãos foram meus "primeiros professores de música."
Já em Niterói, estudei no Centro Educacional, que tinha um movimento musical muito intenso, toquei caixa na banda marcial e cantei no coral da escola, também estudei flauta doce, mas achei chato.
Na adolescência meu irmão Paulo, o mais velho, começou a produzir shows de vários artistas consagrados na época. Eu ajudava na produção, assim presenciava os bastidores dos eventos, ficava horas assistindo a passagem de som do grupo Roupa Nova, 14 Bis e do Guilherme Arantes, entre outros. Me sentida privilegiado de estar ali, esses momentos me marcaram mais do que os próprios shows em si.
Aos 14 anos comecei a estudar violão e aos quinze ganhei uma guitarra.
Uma curiosidade: Certa vez fui à Sala Cecília Meireles assistir ao show do Egberto Gismonti,tendo deixado  de ir ao Maracanã em uma decisão do campeonato carioca entre meu time  Flamengo e o Vasco.

Escrevi estas linhas sobre a minha relação com a música quando adolescente:
“Naquelas tardes em meu quarto, não dispunha de toda a informação do mundo. Nada brotava na tela em décimos de segundo. Amigo virtual eu desconhecia, amizade instantânea me fugiria à compreensão. O que seria isso?... Isolamento?... timidez? Talvez. Naquelas lentas tardes, em minha pequenez, maravilhava-me um mero encarte. Havia cumplicidade e escassez rica em possibilidades. E contemplava intenções com escuta atenta à agulha que tecia o detalhe”.






 Nicolle Martins pergunta: Lembra-se da(s) primeira(s) música(s) que aprendeu a tocar no violão? 

     Marcelo Pfeil responde:

Sim, claro que me lembro. Aprendi a tocar “Hora do Almoço” do Belchior. A sugestão veio do professor. Não era a música que eu mais gostava no mundo, mas não era tão difícil e consegui tocar nas primeiras aulas. Tempos depois percebi que a escolha foi orientada por motivos didáticos.






Guilherme Sartori pergunta: Por quê optou pela carreira musical?

Marcelo Pfeil responde:

Música sempre me remeteu à criatividade, disciplina, aprimoramento, afeto, encontro e à produção... esses foram os  motivos!  Foi uma escolha natural, mas ao mesmo tempo difícil de colocar em prática, pois os resultados nem sempre são rápidos e por vezes nos cobramos a esse respeito.
Sou o único músico da minha família, que não entendia muito bem sobre a carreira e essa profissão. A esse respeito havia uma preocupação, mesmo que não declarada, dos meus familiares, mas não me faltou apoio.  Também não foi um processo linear, fiz outras coisas fora da música, como faculdade de engenharia, mas não concluí. 
Ter morado na Alemanha por 3 anos com intensa atividade musical e logo depois ingressado na faculdade de música, foram fatores decisivos no processo de amadurecimento da minha carreira.






  Kaillany Fátima pergunta: Com que idade iniciou sua carreira musical?


 Marcelo Pfeil responde:

Aos dezenove anos de idade comecei a tocar e a lecionar violão profissionalmente. Havia largado a faculdade de engenharia, o que me moveu no sentido de produzir os projetos musicais.






Julia Oliveira de Jesus pergunta: Qual a importância da música em sua vida?

Marcelo Pfeil responde:

Sempre foi a minha prioridade! (...as vezes uma obsessão). Quando mais novo, me esqueci um pouco de outras coisas, sempre com o objetivo de tocar e aprender... paguei um preço  por isso, mas hoje sinto que valeu a pena.
Ultimamente comecei a também apreciar coisas simples que a música poderia me trazer, como por exemplo, “fazer um som” com um amigo, mostrar para alguém uma música nova que compus, ver a evolução de meus alunos e suas descobertas, apreciar a musicalidade das palavras lendo, por exemplo, a  literatura de cordel ou a obra de Manoel de Barros.

Talvez eu surpreenda quem nesse momento lê estas linhas, mas não gosto de música em todos os momentos. Vou explicar:
Vivemos em um mundo rodeado de informações incessantes e velozes. Hoje em dia, ouve-se música o tempo todo, em todos os lugares, cantos, em todos os volume e direções , e na maioria  das vezes, fazendo alguma outra coisa. Curiosamente, por gostar muito de música, às vezes procuro os lugares silenciosos, pra descansar o meu ouvido.






  Manoela Reis pergunta: Alguma vez já pensou em compor canções de outros gêneros musicais diferentes dos que costuma realizar?

 Marcelo Pfeil responde:

Esta questão é muito norteada por outros projetos que participo... pode ser uma trilha para uma peça de teatro, arranjos de um Cd para um livro, ou ainda outro artista para o qual eu faça a produção. Sou muito atento à demanda artística em cada situação... sempre me pergunto que tipo de estética musical vai atender  cada momento. Por este viés, componho estilos fora da minha expectativa. Não gosto de rótulos, mas espontaneamente transito mais pela música brasileira (choro, samba e bossa nova),jazz e música universal.






Athaly Martins pergunta: Quem são (ou quem foram) seus ídolos na música?


Marcelo Pfeil responde:

São muitos, é provável que, por falta de espaço, eu cometa uma injustiça e não mencione alguém:
Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Tom Jobim, Villa Lobos, Milton Nascimento, Guinga, Pat Metheny, Jim Hall, Paul Desmond, Charlie Parker, Miles Davis, Mike Stern, Jackson do Pandeiro, Bach, Wagner, Palestrina, Chico Buarque, Jacob do Bandolim, Steve Wonder...






Debora Marques pergunta: Como foi a experiência na carreira musical através de sua turnê na Europa?


Marcelo Pfeil responde:

Fiz 3 turnês em 1995 como guitarrista do Grupo Brasiliana... tocamos na Alemanha, Áustria, Suíça , Bélgica e Luxemburgo.  Cada turnê tinha 3 meses de duração com 70 shows previstos.
Em 1996, encerrado o meu contrato, fiquei morando em Berlim por mais dois anos, mas nesse caso sem uma banda fixa. Como mencionei acima, este período foi muito importante para solidificar minha carreira.
Entre 2011 e 2013 fiz mais 3 turnês por Portugal, Finlândia e Estônia, desta vez como músico e arranjador da banda da cantora Marcia Lisboa. O ponto culminante foi nossa apresentação no Pori Jazz (Finlândia), neste ano uma das atrações foi o Elton John e no ano seguinte Nora Jones. Neste mesmo país, considerado o primeiro lugar em Educação no mundo, fizemos 3 Workshops sobre música brasileira, uma troca de experiência muito gratificante com músicos e educadores.






Carla Eduarda pergunta: De todas as canções que compôs, qual é a sua preferida?


Marcelo Pfeil responde:

Difícil eleger somente uma... se isso me fosse imposto, escolheria sempre a última canção que compus, mas como não há esta obrigação de nomear somente uma, além da mais recente, escolho as músicas do meu Cd Instrumental “Coleção de Vinil”, lançado este ano.







Julia Maria pergunta: Você considera-se totalmente realizado em sua carreira musical ou sente que ainda falta-lhe algo?


Marcelo Pfeil responde:


Claro que não me sinto realizado, pensar assim é o primeiro passo para interromper nosso aprendizado e um convite para a estagnação. Comemoro as conquistas,mas prefiro acreditar que o melhor sempre está por vir.