sábado, 11 de abril de 2015

PROFESSOR MÁRCIO SCIALIS




Marcio Scialis iniciou sua carreira musical em 1990. Em 1996, no periódico "Musicalizando", foi citado como um dos dez maiores nomes da gaita no Brasil. Produziu jingles e vinhetas para inúmeras empresas, nacionais e internacionais. ​ ​ Foi convidado para tocar no histórico "The House of Blues" de New Orleans, na China, na Grécia e em Detroyt - NY, mas sempre preferiu dar prioridade aos seus alunos e público no Brasil. ​ Gravou e tocou com grandes nomes, como o maestro Eduardo Lages (Roberto Carlos), maestro Laércio Freitas, Artur Maia, Derico Sciotti (Jô Soares), Skowa, César Camargo Mariano, Joe Filisko, Brian Peters, Flávio Guimarães (Blues Etílicos), Peter “Madcat” Ruth, entre outros. ​ Foi músico exclusivo do Grand Hyatt Hotel por quase dois anos, sendo assistido e elogiado por pessoas do mundo inteiro. Seu pocket show já foi visto por milhares de pessoas. ​ Multi-instrumentista, toca mais de 50 instrumentos musicais diferentes, além de ser cantor. ​ Autor de vários projetos sociais ligados à música, cultura e educação, tendo como objetivo principal a sustentabilidade, a valorização do ser humano através da cultura em sua propagação. Foi diretor do Instituto Cultural Hering, membro do Conselho Comunitário de São Paulo, do Conselho Gestor do Hospital do Tatuapé de SP, Diretor de Artes da SAT - SP e diretor de Marketing da Hering Harmônicas, além de apresentar o programa de TV "Música em Pauta", pela TV Aberta - SP, canal 9 da NET - SP. ​ É responsável pelo conteúdo didático-musical do Método Hering para Flauta Doce, escolhido para a volta da música nas escolas por várias cidades brasileiras. ​ ​Pedagogo, é elaborador de programas de educação musical, como a "Musicalização da Gaita de Boca", executado pelo grupo Harmônicos em unidades do SESI, para cerca de 30.000 alunos.




(Para entrevistar o Professor Scialis, envie suas perguntas por email (igosanuza@bol.com.br) ou FACEBOOK até o dia 18/04).



Confira a entrevista completa:


Julia Maria pergunta: 

Professor Scialis , 
Qual foi o seu melhor momento no mundo da música ?

Professor Scialis responde:
“Julia, o meu melhor momento no mundo da música está sendo agora, respondendo a sua pergunta, porque é muito gratificante você ter reconhecimento, colher os frutos de anos de dedicação à profissão, saber que outras pessoas se interessam pelo seu trabalho. É emocionante – melhor do que ter feito show para milhares de pessoas no Parque Ibirapuera em São Paulo, como já aconteceu comigo algumas vezes...”




Kauanny Pires pergunta:

Professor Scialis, 
Você aprendeu a tocar os instrumentos sozinhos ou teve aulas?? Se foi sozinho o que te incentivou??

Professor Scialis responde:
Kauanny, aos cinco anos de idade ganhei uma guitarra de plástico com cordas de nylon. Se foi importante, mesmo sendo de brinquedo? Claro! Aos seis anos de idade eu ganhei a minha primeira gaita de boca, e foi marcante, tudo muito instintivo. Aos dez anos tive apenas quatro aulas de violão com um professor particular, porque foi em uma época de muita inflação, quando as coisas dobravam de preço de um mês para outro, o que me impossibilitou continuar estudando. Aos quatorze anos eu iniciei minha carreira de ator e modelo. Aos dezesseis, assistindo um programa de TV, vi um senhor tocando gaita. Era o Clayber de Souza, um grande gaitista brasileiro. Entrei em contato e estudei nove meses com ele. Me dediquei tanto ao estudo, que ele me contratou para ser um “professor monitor”, representando o curso dele em 14 grandes escolas de música em São Paulo. Continuei minha carreira de ator paralelamente, até os dezenove anos, participando de peças teatrais, programas de televisão, comerciais e curtas metragens. O contato com as escolas de música me aproximou de muitos instrumentos, como piano, bateria, contrabaixo, guitarra e cavaquinho. Comecei a substituir os meus estudos de textos teatrais por estudos musicais, sozinho nas salas de música nas horas livres. Nesta época, aprendi estes instrumentos sozinho. Meu grande incentivador foi o Clayber de Souza, que também é multi-instrumentista.





Jullia Carolina pergunta:
Professor Scialis,

Quem lhe incentivou a começar a música??? Porque se identifica tanto com a Gaita?? Obrigada

Professor Scialis responde:
Jullia, meus pais me incentivaram na música. Um dos meus tios é guitarrista, o “Luizão”, e um outro, o “Zezinho”, violonista. Dois grandes músicos, cada um com seu estilo. Quando nos visitavam eu os admirava, com um fervor muito grande, dentro de mim, uma mistura de entusiasmo com angústia de não fazer o que eles faziam. Então, não foi só o incentivo dos meus pais, mas também a admiração pelos meus tios. Sobre a gaita, não sei te explicar. De todos os instrumentos, foi o mais fácil pra mim, o que eu consegui tocar músicas muito difíceis, que não conseguia em outros instrumentos. Eu “enxergo” as notas com muita rapidez e fluência, na gaita.




Professor Scialis,

O que te inspirou a tocar tantos instrumentos?

Professor Scialis responde:
Luana, a inspiração de tocar vários instrumentos foi ver meu professor tocando, mas posso te dizer que é INDESCRITÍVEL a sensação de descobrir como se toca um novo instrumento. Fazer com que ele produza som, escutar esse som, entender esse som novo, pensar em como desenvolver melodias e ritmos... é muito bom!



· 

Professor Scialis,
Qual instrumento você prefere tocar??

Professor Scialis responde:
Jordania, o instrumento que eu prefiro tocar, de todos, é aquele que eu ainda não sei tocar! Adoro a sensação de descobrir novos sons. Todos os que já domino, tenho a mesma sensação e entusiasmo, pois dou 100% de mim para tocar qualquer instrumento.





Professor Scialis,

O que lhe incentivou a seguir com a música? Como você tem fôlego para tocar musicas longas com a gaita?

Professor Scialis responde:
Gabi, o que me incentivou a seguir com música foi ver a ótima sensação que se causa nas pessoas que te ouvem tocar. Fazer as pessoas se sentirem bem é muito legal! Tocar em um show, uma apresentação que todos cantam com você, dançam, ou apenas admiram, é fantástico. Sobre fôlego e músicas longas com gaita, vou te contar uma coisa: na gaita, sopramos e aspiramos, então você consegue respirar tocando! Quando tocamos um instrumento de sopro, nosso pulmão fica mais “forte”. Neste ano de 2014, tive um grave problema de saúde envolvendo meu sistema respiratório. Se não fosse a gaita, posso te dizer que não estaria aqui contando essa história, porque foi o que me possibilitou contornar o problema. Após isso, os médicos me recomendaram continuar tocando, porque ajuda ainda mais na recuperação.




Professor Scialis,

Desde quando você gosta de musica? Alguém da sua família tocava algum instrumento para te incentivar?

Professor Scialis responde:
Maria Clara, além dos meus dois tios por parte de pai, tem um detalhe muito importante que eu não ia dizer, mas não vou resistir: aos dez anos de idade me apaixonei por uma vizinha. Ela morava na segunda casa, depois da minha. Eu conseguia ouvi-la tocando violão, lá do meu quintal. Sentava em uma escada e ficava lá, suspirando. Um dia a minha mãe me surpreendeu ouvindo e disse: “que tal se comprássemos um violão e você tocasse junto com a nossa vizinha?” – é claro que eu concordei. Logo depois de ganhar meu violão, no natal daquele ano, corri e toquei a campainha da menina, pedindo que ela me desse algumas dicas. Ela me emprestou algumas folhas das aulas que ela tinha na escola dela, próximo de casa. Foi assim que tudo realmente começou... Ah! Já ia me esquecendo: sabe essa vizinha que eu falei? Então... começamos a namorar quando tinha dezessete anos, após dois anos ficamos noivos, depois de quatro anos nos casamos – estamos juntos há 22 anos e nossa filha tem 14 anos, hoje. Naquela escola que ela estudava violão, virei professor e trabalhei durante sete anos. Minha filha hoje estuda lá...




Professor Scialis, tenho 3 perguntas:
Quais são as dificuldades enfrentadas no seu trabalho?
Em que local você se sente mais calmo para pensar ?
A quanto tempo leciona música?

Professor Scialis responde:
Vivian, as dificuldades são muitas, como em toda profissão. Não conseguiria te dizer todas, mas a principal: falta de reconhecimento do seu trabalho por parte dos contratantes, que acham que o músico só se diverte, então não pode cobrar pelo serviço. Dizem assim: “só pra tocar uma gaitinha, não vá me cobrar caro...” como se você não tivesse estudado, se dedicado, durante anos e anos. Sobre o local mais calmo para pensar, musicalmente falando, quando vou dormir e quando acordo. Ao dormir, o silêncio do meu quarto (minha rua é bem tranquila) me inspira para o novo dia, imaginando o que posso fazer e criar no dia seguinte. Ao acordar, uma música qualquer fica na minha cabeça, em looping, até que eu chegue no meu trabalho e converse com outras pessoas ou toque algum instrumento. Sobre minha carreira de professor de música, iniciei há 23 anos.



Maria Elisa pergunta:

Professor Marcio Scialis,
Quais são os  instrumentos musicais que o senhor toca ou ensina?
Professor Scialis responde:
Maria Elisa, atualmente leciono gaita, violão, piano popular, cajón e canto, por falta de tempo. Há alguns anos atrás era um número maior. Os instrumentos musicais que eu toco, na minha rotina como músico: violão, guitarra, banjo 5 cordas, banjo 4 cordas, bandolim, contrabaixo elétrico, contrabaixo acústico, piano, teclado, bateria, flauta transversal, flauta doce, flauta irlandesa, gaita cromática, gaita diatônica, cajón, udú, surdo, zabumba, escaleta, jaw harp, triângulo, viola caipira, saxofone soprano, saxofone alto, saxofone midi, pandeiro, agogô, caxixi, afuxê, metalofone, congas, bongô, ganzá, cavaquinho. Instrumentos que já toquei, mas há algum tempo não tenho contato: trompete, violino e acordeom. Nossa última contagem havia 56 instrumentos diferentes, entre todos. Estamos planejando uma apresentação onde eu toque todos eles. Vai ser divertido.



Paolla Meneses  pergunta:
Professor Scialis,

Como se deu sua aproximação com a música? A partir de que momento ela se tornou uma profissão?

Professor Scialis responde:
Paolla, minha aproximação com a música, profissionalmente falando, iniciou-se aos 15 anos, quando tinha uma turma de 33 alunos na escola Oswaldo Catalano, em uma oficina cultural de violão. Durante um ano inteiro eu conduzi as aulas, recebendo bem pelo trabalho, sendo que muitos desses alunos têm contato comigo até hoje, e alguns trabalham com música. Esta experiência de ter muitos alunos em uma sala foi muito importante para mim, porque hoje estou envolvido em projetos com 500, 600 alunos de uma só vez, como o trabalho com os Harmônicos, grupo cujo idealizador e fundador é meu sócio, Geison Cezare, na escola de música H-UNIT, realizando workshops em todo o país, nas redes do SESI, SESC e escolas particulares. Participo de outros projetos de musicalização pelo Instituto Hering, do qual sou diretor e autor de quatro livros, escolhidos por várias cidades para guiar os professores nas aulas de música do Ensino Fundamental.





Mariana Bono pergunta:
 Professor Scialis,
Se fosse possivel, visitaria todas as escolas do Brasil para mostrar sua arte musical?

Professor Scialis responde:
Mariana, estar em todas escolas está deixando de ser um sonho para virar realidade. Seja pelos meus livros ou pelo trabalho com os Harmônicos, direta ou indiretamente, isso está acontecendo. É uma realização tremenda, mesmo, ser referência para tanta gente. Não sou o único a realizar esse trabalho, e é preciso ter bom senso para entender que “o sol nasceu pra todos”, ou seja, estou fazendo parte da história da música no Brasil, e isso por si já é maravilhoso.




Professor Scialis,
 Com o passar dos anos o senhor se cansa de trabalhar com música?

Professor Scialis responde:
Maria Luiza, não me canso psicologicamente. Fisicamente, quando o tempo vai passando, nós ficamos mais vulneráveis a dores, ao sono, e nos rendemos na maioria das vezes. Mas no outro dia estamos de pé, novamente, com toda disposição e vontade de quem é apaixonado por seu trabalho!




Julia Zuccolo pergunta:
Professor Scialis,

Qual foi a sensação ao tocar seu primeiro instrumento?

Professor Scialis responde:
Julia, a sensação foi muito legal! Morava em Goiás e tinha cinco anos de idade. Lembro-me de pedir um banquinho para minha mãe, sentei-me no jardim em frente a minha casa e fiz meu primeiro “concerto musical”, tocando “quem quer pão”, uma brincadeira que fazemos com crianças em uma única corda do violão. Não me pergunte de onde tirei a idéia do banquinho o da música, porque eu não me lembro!




Victor Hugo  pergunta:
Professor Scialis "the house of blues" é um show ? Em quantas escolas já lecionou e qual teve mais facilidade para trabalhar?  Com quantos anos você começou a tocar?  Qual instrumento você tem mais facilidade para tocar? Você pretende aprender novos instrumentos? Qual foi o ultimo instrumento que você aprendeu a tocar?

Professor Scialis responde:
Victor, “The House of Blues” é uma casa de shows, em New Orleans, onde já estiveram grandes nomes da música internacional. Sobre as escolas, já lecionei em cerca de 30 instituições diferentes, muitas delas ao mesmo tempo e por muitos anos. A que mais tive facilidade para trabalhar foi a H-UNIT (minha e do meu sócio). Eu pretendo aprender novos instrumentos, como você perguntou, Victor. Sempre. O Último instrumento que eu aprendi a tocar foi o banjo 5 cordas, para tocar bluegrass e country music.



Agradecimento especial ao Professor Marcio Scialis pela disponibilidade em participar dessa entrevista. Parabenizo todos os alunos participantes pelo nível das perguntas. Esperamos que a experiência e conhecimento do professor Scialis e de todos os entrevistados possam servir de estímulos e referenciais em suas vidas.

Um grande abraço à todos...

...até a próxima entrevista!



Prof. Igo Sanuza