Marcio Scialis
iniciou sua carreira musical em 1990. Em 1996, no periódico
"Musicalizando", foi citado como um dos dez maiores nomes da gaita no
Brasil. Produziu jingles e vinhetas para inúmeras empresas, nacionais e
internacionais. Foi convidado para tocar no histórico "The House of
Blues" de New Orleans, na China, na Grécia e em Detroyt - NY, mas sempre
preferiu dar prioridade aos seus alunos e público no Brasil. Gravou e tocou
com grandes nomes, como o maestro Eduardo Lages (Roberto Carlos), maestro
Laércio Freitas, Artur Maia, Derico Sciotti (Jô Soares), Skowa, César Camargo
Mariano, Joe Filisko, Brian Peters, Flávio Guimarães (Blues Etílicos), Peter
“Madcat” Ruth, entre outros. Foi músico exclusivo do Grand Hyatt Hotel por
quase dois anos, sendo assistido e elogiado por pessoas do mundo inteiro. Seu
pocket show já foi visto por milhares de pessoas. Multi-instrumentista, toca
mais de 50 instrumentos musicais diferentes, além de ser cantor. Autor de
vários projetos sociais ligados à música, cultura e educação, tendo como
objetivo principal a sustentabilidade, a valorização do ser humano através da
cultura em sua propagação. Foi diretor do Instituto Cultural Hering, membro do
Conselho Comunitário de São Paulo, do Conselho Gestor do Hospital do Tatuapé de
SP, Diretor de Artes da SAT - SP e diretor de Marketing da Hering Harmônicas,
além de apresentar o programa de TV "Música em Pauta", pela TV Aberta
- SP, canal 9 da NET - SP. É responsável pelo conteúdo didático-musical do
Método Hering para Flauta Doce, escolhido para a volta da música nas escolas por
várias cidades brasileiras. Pedagogo, é elaborador de programas de educação
musical, como a "Musicalização da Gaita de Boca", executado pelo
grupo Harmônicos em unidades do SESI, para cerca de 30.000 alunos.
(Para entrevistar o Professor Scialis, envie suas perguntas por email (igosanuza@bol.com.br) ou FACEBOOK até o dia 18/04).
Confira a entrevista completa:
O que te inspirou a tocar tantos instrumentos?
Professor
Scialis responde:
Vivian, as dificuldades são muitas, como em toda profissão. Não conseguiria te dizer todas, mas a principal: falta de reconhecimento do seu trabalho por parte dos contratantes, que acham que o músico só se diverte, então não pode cobrar pelo serviço. Dizem assim: “só pra tocar uma gaitinha, não vá me cobrar caro...” como se você não tivesse estudado, se dedicado, durante anos e anos. Sobre o local mais calmo para pensar, musicalmente falando, quando vou dormir e quando acordo. Ao dormir, o silêncio do meu quarto (minha rua é bem tranquila) me inspira para o novo dia, imaginando o que posso fazer e criar no dia seguinte. Ao acordar, uma música qualquer fica na minha cabeça, em looping, até que eu chegue no meu trabalho e converse com outras pessoas ou toque algum instrumento. Sobre minha carreira de professor de música, iniciei há 23 anos.
(Para entrevistar o Professor Scialis, envie suas perguntas por email (igosanuza@bol.com.br) ou FACEBOOK até o dia 18/04).
Confira a entrevista completa:
Julia
Maria pergunta:
Professor Scialis ,
Qual foi o seu melhor momento no mundo da música ?
Qual foi o seu melhor momento no mundo da música ?
Professor Scialis responde:
“Julia, o meu melhor
momento no mundo da música está sendo agora, respondendo a sua pergunta, porque
é muito gratificante você ter reconhecimento, colher os frutos de anos de
dedicação à profissão, saber que outras pessoas se interessam pelo seu
trabalho. É emocionante – melhor do que ter feito show para milhares de pessoas
no Parque Ibirapuera em São Paulo, como já aconteceu comigo algumas vezes...”
Kauanny
Pires pergunta:
Professor Scialis,
Você aprendeu a tocar os instrumentos sozinhos ou teve aulas?? Se foi sozinho o que te incentivou??
Você aprendeu a tocar os instrumentos sozinhos ou teve aulas?? Se foi sozinho o que te incentivou??
Professor Scialis responde:
Kauanny, aos cinco
anos de idade ganhei uma guitarra de plástico com cordas de nylon. Se foi
importante, mesmo sendo de brinquedo? Claro! Aos seis anos de idade eu ganhei a
minha primeira gaita de boca, e foi marcante, tudo muito instintivo. Aos dez
anos tive apenas quatro aulas de violão com um professor particular, porque foi
em uma época de muita inflação, quando as coisas dobravam de preço de um mês
para outro, o que me impossibilitou continuar estudando. Aos quatorze anos eu
iniciei minha carreira de ator e modelo. Aos dezesseis, assistindo um programa
de TV, vi um senhor tocando gaita. Era o Clayber de Souza, um grande gaitista
brasileiro. Entrei em contato e estudei nove meses com ele. Me dediquei tanto
ao estudo, que ele me contratou para ser um “professor monitor”, representando
o curso dele em 14 grandes escolas de música em São Paulo. Continuei minha
carreira de ator paralelamente, até os dezenove anos, participando de peças
teatrais, programas de televisão, comerciais e curtas metragens. O contato com
as escolas de música me aproximou de muitos instrumentos, como piano, bateria,
contrabaixo, guitarra e cavaquinho. Comecei a substituir os meus estudos de
textos teatrais por estudos musicais, sozinho nas salas de música nas horas
livres. Nesta época, aprendi estes instrumentos sozinho. Meu grande
incentivador foi o Clayber de Souza, que também é multi-instrumentista.
Jullia
Carolina pergunta:
Professor Scialis,
Quem lhe incentivou a começar a música??? Porque se identifica tanto
com a Gaita?? Obrigada
Professor Scialis responde:
Jullia, meus pais me
incentivaram na música. Um dos meus tios é guitarrista, o “Luizão”, e um outro,
o “Zezinho”, violonista. Dois grandes músicos, cada um com seu estilo. Quando
nos visitavam eu os admirava, com um fervor muito grande, dentro de mim, uma mistura
de entusiasmo com angústia de não fazer o que eles faziam. Então, não foi só o
incentivo dos meus pais, mas também a admiração pelos meus tios. Sobre a gaita,
não sei te explicar. De todos os instrumentos, foi o mais fácil pra mim, o que
eu consegui tocar músicas muito difíceis, que não conseguia em outros
instrumentos. Eu “enxergo” as notas com muita rapidez e fluência, na gaita.
Luana
Da Costa Mendonça pergunta:
Professor Scialis,
O que te inspirou a tocar tantos instrumentos?
Professor Scialis responde:
Luana, a inspiração de tocar vários instrumentos foi ver meu professor tocando,
mas posso te dizer que é INDESCRITÍVEL a sensação de descobrir como se toca um
novo instrumento. Fazer com que ele produza som, escutar esse som, entender
esse som novo, pensar em como desenvolver melodias e ritmos... é muito bom!
·
Jordania Da Silva Ribeiro pergunta:
Professor Scialis,
Qual instrumento você prefere tocar??
Professor Scialis
responde:
Jordania, o instrumento
que eu prefiro tocar, de todos, é aquele que eu ainda não sei tocar! Adoro a
sensação de descobrir novos sons. Todos os que já domino, tenho a mesma
sensação e entusiasmo, pois dou 100% de mim para tocar qualquer instrumento.
Gabrielly
Nascimento pergunta:
Professor Scialis,
O que lhe incentivou a seguir com a música? Como você tem fôlego para tocar musicas
longas com a gaita?
Professor Scialis responde:
Gabi, o que me
incentivou a seguir com música foi ver a ótima sensação que se causa nas
pessoas que te ouvem tocar. Fazer as pessoas se sentirem bem é muito legal!
Tocar em um show, uma apresentação que todos cantam com você, dançam, ou apenas
admiram, é fantástico. Sobre fôlego e músicas longas com gaita, vou te contar
uma coisa: na gaita, sopramos e aspiramos, então você consegue respirar
tocando! Quando tocamos um instrumento de sopro, nosso pulmão fica mais
“forte”. Neste ano de 2014, tive um grave problema de saúde envolvendo meu
sistema respiratório. Se não fosse a gaita, posso te dizer que não estaria aqui
contando essa história, porque foi o que me possibilitou contornar o problema.
Após isso, os médicos me recomendaram continuar tocando, porque ajuda ainda
mais na recuperação.
Maria
Clara Miranda pergunta:
Professor Scialis,
Desde quando você gosta de musica? Alguém da sua família tocava algum
instrumento para te incentivar?
Professor Scialis responde:
Maria Clara, além
dos meus dois tios por parte de pai, tem um detalhe muito importante que eu não
ia dizer, mas não vou resistir: aos dez anos de idade me apaixonei por uma
vizinha. Ela morava na segunda casa, depois da minha. Eu conseguia ouvi-la
tocando violão, lá do meu quintal. Sentava em uma escada e ficava lá,
suspirando. Um dia a minha mãe me surpreendeu ouvindo e disse: “que tal se
comprássemos um violão e você tocasse junto com a nossa vizinha?” – é claro que
eu concordei. Logo depois de ganhar meu violão, no natal daquele ano, corri e
toquei a campainha da menina, pedindo que ela me desse algumas dicas. Ela me
emprestou algumas folhas das aulas que ela tinha na escola dela, próximo de
casa. Foi assim que tudo realmente começou... Ah! Já ia me esquecendo: sabe
essa vizinha que eu falei? Então... começamos a namorar quando tinha dezessete
anos, após dois anos ficamos noivos, depois de quatro anos nos casamos –
estamos juntos há 22 anos e nossa filha tem 14 anos, hoje. Naquela escola que
ela estudava violão, virei professor e trabalhei durante sete anos. Minha filha
hoje estuda lá...
Vivian
Finotello Tardio pergunta:
Professor Scialis, tenho 3
perguntas:
Quais são as dificuldades
enfrentadas no seu trabalho?
Em que local você se sente
mais calmo para pensar ?
A quanto tempo leciona
música?
Vivian, as dificuldades são muitas, como em toda profissão. Não conseguiria te dizer todas, mas a principal: falta de reconhecimento do seu trabalho por parte dos contratantes, que acham que o músico só se diverte, então não pode cobrar pelo serviço. Dizem assim: “só pra tocar uma gaitinha, não vá me cobrar caro...” como se você não tivesse estudado, se dedicado, durante anos e anos. Sobre o local mais calmo para pensar, musicalmente falando, quando vou dormir e quando acordo. Ao dormir, o silêncio do meu quarto (minha rua é bem tranquila) me inspira para o novo dia, imaginando o que posso fazer e criar no dia seguinte. Ao acordar, uma música qualquer fica na minha cabeça, em looping, até que eu chegue no meu trabalho e converse com outras pessoas ou toque algum instrumento. Sobre minha carreira de professor de música, iniciei há 23 anos.
Maria
Elisa pergunta:
Professor Marcio Scialis,
Quais são os instrumentos musicais que o senhor toca ou
ensina?
Professor Scialis responde:
Maria Elisa, atualmente leciono gaita, violão, piano popular, cajón e canto,
por falta de tempo. Há alguns anos atrás era um número maior. Os instrumentos
musicais que eu toco, na minha rotina como músico: violão, guitarra, banjo 5
cordas, banjo 4 cordas, bandolim, contrabaixo elétrico, contrabaixo acústico,
piano, teclado, bateria, flauta transversal, flauta doce, flauta irlandesa,
gaita cromática, gaita diatônica, cajón, udú, surdo, zabumba, escaleta, jaw
harp, triângulo, viola caipira, saxofone soprano, saxofone alto, saxofone midi,
pandeiro, agogô, caxixi, afuxê, metalofone, congas, bongô, ganzá, cavaquinho.
Instrumentos que já toquei, mas há algum tempo não tenho contato: trompete,
violino e acordeom. Nossa última contagem havia 56 instrumentos diferentes,
entre todos. Estamos planejando uma apresentação onde eu toque todos eles. Vai
ser divertido.
Paolla
Meneses pergunta:
Professor Scialis,
Como se deu sua aproximação com a música? A partir de que momento ela
se tornou uma profissão?
Professor Scialis responde:
Paolla, minha
aproximação com a música, profissionalmente falando, iniciou-se aos 15 anos,
quando tinha uma turma de 33 alunos na escola Oswaldo Catalano, em uma oficina
cultural de violão. Durante um ano inteiro eu conduzi as aulas, recebendo bem
pelo trabalho, sendo que muitos desses alunos têm contato comigo até hoje, e
alguns trabalham com música. Esta experiência de ter muitos alunos em uma sala
foi muito importante para mim, porque hoje estou envolvido em projetos com 500,
600 alunos de uma só vez, como o trabalho com os Harmônicos, grupo cujo
idealizador e fundador é meu sócio, Geison Cezare, na escola de música H-UNIT,
realizando workshops em todo o país, nas redes do SESI, SESC e escolas
particulares. Participo de outros projetos de musicalização pelo Instituto
Hering, do qual sou diretor e autor de quatro livros, escolhidos por várias
cidades para guiar os professores nas aulas de música do Ensino Fundamental.
Mariana
Bono pergunta:
Professor Scialis,
Se fosse possivel, visitaria todas as escolas do Brasil para mostrar
sua arte musical?
Professor Scialis responde:
Mariana, estar em
todas escolas está deixando de ser um sonho para virar realidade. Seja pelos
meus livros ou pelo trabalho com os Harmônicos, direta ou indiretamente, isso
está acontecendo. É uma realização tremenda, mesmo, ser referência para tanta
gente. Não sou o único a realizar esse trabalho, e é preciso ter bom senso para
entender que “o sol nasceu pra todos”, ou seja, estou fazendo parte da história
da música no Brasil, e isso por si já é maravilhoso.
Maria Luiza Mesquita Pergunta:
Professor
Scialis,
Com o passar dos anos o senhor se cansa de
trabalhar com música?
Professor
Scialis responde:
Maria
Luiza, não me canso psicologicamente. Fisicamente, quando o tempo vai passando,
nós ficamos mais vulneráveis a dores, ao sono, e nos rendemos na maioria das
vezes. Mas no outro dia estamos de pé, novamente, com toda disposição e vontade
de quem é apaixonado por seu trabalho!
Julia Zuccolo pergunta:
Professor Scialis,
Qual foi a sensação ao tocar seu primeiro instrumento?
Professor Scialis responde:
Julia, a sensação
foi muito legal! Morava em Goiás e tinha cinco anos de idade. Lembro-me de
pedir um banquinho para minha mãe, sentei-me no jardim em frente a minha casa e
fiz meu primeiro “concerto musical”, tocando “quem quer pão”, uma brincadeira
que fazemos com crianças em uma única corda do violão. Não me pergunte de onde
tirei a idéia do banquinho o da música, porque eu não me lembro!
Victor Hugo pergunta:
Professor Scialis
"the house of blues" é um show ? Em quantas escolas já lecionou e qual teve mais facilidade
para trabalhar? Com quantos anos você começou a tocar? Qual instrumento você tem mais facilidade
para tocar? Você pretende aprender novos instrumentos? Qual foi o ultimo
instrumento que você aprendeu a tocar?
Professor Scialis
responde:
Victor, “The House
of Blues” é uma casa de shows, em New Orleans, onde já estiveram grandes nomes
da música internacional. Sobre as escolas, já lecionei em cerca de 30
instituições diferentes, muitas delas ao mesmo tempo e por muitos anos. A que
mais tive facilidade para trabalhar foi a H-UNIT (minha e do meu sócio). Eu
pretendo aprender novos instrumentos, como você perguntou, Victor. Sempre. O
Último instrumento que eu aprendi a tocar foi o banjo 5 cordas, para tocar
bluegrass e country music.
Agradecimento especial ao Professor Marcio Scialis pela disponibilidade em participar dessa entrevista. Parabenizo todos os alunos participantes pelo nível das perguntas. Esperamos que a experiência e conhecimento do professor Scialis e de todos os entrevistados possam servir de estímulos e referenciais em suas vidas.
Um grande abraço à todos...
...até a próxima entrevista!
Prof. Igo Sanuza
